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DEMOCRATIZAÇÃO E REPUBLICANIZAÇÃO DO
ESTADO
As tendências
concentracionistas e centralizadoras do capitalismo
contemporâneo caminham na contramão da democracia e da república
principalmente como normatividade. Às instituições
assegura-se-lhes o funcionamento regular e sua louvação é até
exagerada, como se não se tratasse de construções históricas. A
política é largamente oligarquizada pelos partidos e os governos
tornam-se mais e mais intransparentes; nas mais das vezes a
institucionalidade erige-se em barreira à participação popular.
Decisões cruciais que dizem respeito à macroeconomia e, embora
não pareçam, à vida cotidiana dos cidadãos e eleitores, correm
por fora das instituições da representação popular, até mesmo na
sua instância máxima, que é o poder executivo. Tais tendências
estão dizendo, à maneira de George Soros, que o voto popular é
supérfluo, economicamente irrelevante e até um estorvo,que as
instituições democráticas e republicanas são o pão – escasso -
do circo – amplo - para manter as energias cidadãs entretidas
enquanto os grupos econômicos decidem o que é relevante.A
democracia e a república são o luxo que o capital têm que
conceder às massas , dando-lhes a ilusão de que controlam os
processos vitais, enquanto as questões reais são decididas em
instâncias restritas, inacessíveis, e livres de qualquer
controle.
Está em gestação uma
sociedade de contrôle, que escapa aos rótulos simples do
neoliberalismo e até mesmo ao mais radical e oposto do
autoritarismo.Não parece autoritarismo, pois as escolhas por
intermédio das eleições se oferecem periodicamente, embora o
instinto do eleitor desconfie da irrelevância de seu voto, haja
visto a clamorosa abstinência que marca as eleições
norte-americanas(...)
Esta é a busca
do consenso perdido: o consenso de que somos uma Nação e não uma
aglomeração de consumidores. Cabe à universidade um importante
papel nesta luta. Os clássicos das ciências sociais no Brasil
deram uma importantíssima contribuição para “descobrir” o Brasil
e “inventar” uma Nação. O malbaratamento neoliberal da última
década, no vagalhão mundial globalitário, desestruturou,
perigosamente, o Estado e pode levar de roldão a Nação. A
Universidade é o lugar da produção do dissenso, em primeiro
lugar, dissenso do discurso do “pensamento único”. Passo
insubstituível para a produção de um novo consenso sobre a
Nação, que é obra da cidadania, mas que pede e requisita a
universidade para decifrar os enigmas do mundo moderno.
(FRANCISCO DE OLIVEIRA)
QUESTÕES:
(1) Que fenômeno o autor verifica
que tem ocorrido como decorrência do capitalismo contemporâneo?
Como ele é verificado nos partidos e nos governos?
(2) Que conseqüências, conforme o
texto, o neoliberalismo trouxe para o Estado e para a Nação?
(3) Que instituição, para o autor,
pode resgatar o sentido de nação?
Qual é a
característica que a permite desempenhar esse papel
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ESTADO/ PODER/ SISTEMAS DE
GOVERNO/FORMAS DE ESTAD0
Em ciência política,
o sistema de governo é a maneira pela qual o poder
político é dividido e exercido no âmbito de um Estado.
-
O
parlamentarismo é um sistema de governo no qual o poder
executivo de um Estado depende do apoio direto ou indireto
do parlamento, usualmente manifestado por meio de um voto de
confiança. Assim, não há uma clara separação dos poderes
entre os poderes executivo e legislativo.
-
O
presidencialismo é um sistema de governo no qual há uma
nítida separação dos poderes entre o executivo e o
legislativo, de maneira que o poder executivo é exercido
independentemente do parlamento, não é diretamente
responsável perante este e não pode ser demitido em
circunstâncias normais.
O sistema de governo
adotado por um Estado não deve ser confundido com a sua
forma de Estado (Estado unitário ou federal) ou
com a sua forma de governo (monarquia,
república etc.).
·
Estado unitário é um Estado ou país
que é governado constitucionalmente como uma unidade única, com
uma legislação constitucionalmente criada.
·
Dá-se
o nome de Federação ou Estado federal a um Estado
composto por diversas entidades territoriais autônomas dotadas
de governo próprio, geralmente conhecidas como "estados".
Em ciência política,
chama-se forma de governo (ou sistema político) o
conjunto de instituições políticas por meio das quais um Estado
se organiza a fim de exercer o seu poder sobre a
sociedade. Cabe notar que esta definição é válida mesmo que o
governo seja considerado ilegítimo.
·
Monarquia é uma forma de governo em
que um indivíduo governa como chefe de Estado, geralmente de
maneira vitalícia ou até sua abdicação, e "é totalmente separado
de todos os outros membros do Estado"[.
·
Uma
República (do latim Res publica, "coisa pública") é
uma forma de governo na qual um representante, normalmente
chamado presidente, é escolhido pelo povo para ser o chefe de
país, podendo ou não acumular com o poder executivo.
Existem hoje duas
formas principais de república:
-
República
presidencialista ou presidencialismo
- Nesta forma de governo o presidente, escolhido pelo povo
para um mandato regular, acumula as funções de Chefe de
Estado e chefe de governo. Nesse sistema, para levar a cabo
seu plano de governo, o presidente deve barganhar com o
Legislativo caso não possua maioria;
-
República
parlamentarista ou parlamentarismo
- Neste caso o presidente apenas responde à chefia de
Estado, estando a chefia de governo atribuída a um
representante escolhido de forma indireta pelo Legislativo,
normalmente chamado "premiê", "primeiro-ministro" ou ainda
"chanceler".
“
O Estado é um tipo de organização social cuja
caracteristica fundamental é ter o monopólio legitimo do poder.
Em outras palavras, é o Estado que detém o poder legitimo de uso
da força física” (Max Weber)
“
O poder é, a capacidade de produção dos efeitos
pretendidos em uma ação praticada por individuos”. (Maquiavel)
“
Na redução dos homens a simples agentes do
mercado se esconde a dominação de homens sobre homens. Porém
a classe dominante não é apenas dominada pelo sistema,
domina através do sistema” (Karl Marx).
“
A análise do poder não deve compreender apenas
os desejos de seus autores, mas os recursos necessários para a
conquista desses objetivos.” (Thomas Hobbes)
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GLOBALIZAÇÃO
EM CRISE
“A globalização
é um dos resultados do processo de desregulamentação
promovida pelas políticas neoliberais. Em que consiste a
globalização? Na criação de um mercado mundial de circulação de
capitais, de mercadorias, de serviços e de marcas...”
“As políticas de
desregulamentação promoveram a hegemonia do capital
financeiro, em sua modalidade especulativa, de compra e venda de
papéis da dívida dos governos, de aplicação nas bolsas de
valores, no conjunto da economia. Um capital volátil,
capaz de se deslocar de um país para o outro, de uma bolsa de
valores à outra, com um simples aperto de botão”...
“As grandes
corporações internacionais puderam contar com o que passou a ser
denominado como “desterritorialização”, que consiste em
produzir peças ou mercadorias inteiras em outros países,
especialmente naqueles em que a força de trabalho é barata, como
México, China, Índia e Indonésia”...
“Um retorno ao
que foi a economia internacional antes do neoliberalismo é
impossível. O grau de abertura das economias, a
internacionalização dos capitais, com empresas globalizadas
dominando a economia mundial. Estados nacionais enfraquecidos -
tudo dificulta um recrudescimento do protecionismo”...
(Emir Sader;
Carta Capital na Escola; Abril 2009; Páginas 30 e 31)
VISÕES DA
GLOBALIZAÇÃO
I. “Nós,
americanos, inventamos esse conceito (globalização) para
dissimular nossa política de entrada econômica nos outros
países. E para tornar respeitáveis os movimentos de capital, que
sempre são causas de grandes problemas”. (Jonh Kenneth Galbraith-
economista)
II. “A
globalização é o estágio supremo da internacionalização. O
processo de intercâmbio entre países, que marcou o
desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos
séculos XVII e XVIII, expande-se com a industrialização, ganha
novas bases com a grande indústria, nos fins do século XIX e,
agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições.
O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de trocas:
técnicas, comerciais, financeiras, culturais”.
(Milton Santos –
geógrafo brasileiro)
III.
“Globalização é na realidade um eufemismo empregado no lugar de
transnacionalização, ou seja, a expansão sem limites das
corporações transnacionais na economia mundial, em particular
nas populosas e pródigas nações do sul. As três principais
instituições multilaterais relacionadas com o crédito, o
investimento e o comércio, o Banco Mundial, o FMI e a OMC,
desempenharam um papel chave nesse processo”. (Revista Del Sur –
publicação uruguaia)
IV. “Antes de
tudo, a globalização depende da eliminação de obstáculos
técnicos, não de obstáculos econômicos. Ela resulta da abolição
da distância e do tempo (...) os revolucionários avanços
tecnológicos nos transportes e nas comunicações desde o final da
Segunda Guerra Mundial foram responsáveis pelas condições para
que a economia alcançasse os níveis atuais de globalização.” (
Eric Hobsbawm – historiador anglo-egípcio)
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