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HISTÓRICO DO
COLÉGIO
"Um laço nos
estreita, a caridade nos une, somos uma única
família
no Coração de Jesus." - Madre
Cabrini
Luminosa manhã de 6 de março de 1926.
A luz fulgura nas verdes folhagens do Parque de Vila Mariana - pequeno
paraíso de 30000 metros quadrados, aos cuidados de doze jardineiros. Nos
caramanchões floridos trinam os passarinhos, os sabiás saltitam nos
roseirais e entre flores exóticas e medicinais.
Trata-se da propriedade do farmacêutico Joaquim Ribeiro Branco, adquirida
pela Madre Geral Antonieta Della Casa para o nosso novo internato - Colégio
Madre Cabrini - entregue à coordenação de Madre Rosário Marchesi.
Entram as quarenta alunas que pela manhã para lá se transferem do Colégio
Sagrado Coração de Jesus, rua da Consolação, nº 35. Num gesto
bondoso, o arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva traz a surpresa de sua
benção pastoral. Está fundado assim o Colégio Madre Cabrini, que tem
como primeira superiora: Madre Gertrudes Rancati.
São Paulo era então uma cidade provinciana, com 1 milhão de habitantes.
Sem poluição, envolvida pela garoa, e só apresentava sobradinhos de
dois ou três andares.
A tradicional Piratininga de Anchieta acordava então para um futuro
promissor. Sucessivas ondas de imigrantes aqui chegaram, buscando melhores
condições de sobrevivência. Eram na maioria italianos, sírios-libaneses
e depois japoneses; diferentes povos que iriam aumentar o contingente de
nossas escolas.
O Cabrini logo floresceu. Os dois andares da antiga propriedade particular
já não respondem às solicitações de matrículas. São representantes
da classe média e filhas de novos industriais. O internato era então um
luxo. O corpo docente conta com intelectuais da Paulicéia, e é tão
grande a procura de matrículas que, logo após se abrem também inscrições
para semi-internas.
Um novo sistema de classes oferece pavilhões esparsos pelo parque, por
entre os quais transitam as alunas, ao canto dos pássaros e ao perfume
das flores e das frutas: jaboticaba, laranja, banana, abacate, caquí, pêra,
jambo-rosa e até cambucá, cambucí e grumixama...Uma tentação para as
meninas na hora do recreio.
Há também três fontes naturais, entoando sua cantiga monótona. E o que
mais atrai as alunas porém, é o lago com a pequena ilha e canoa. As
travessas remadoras, às vezes, se divertem com os naufrágios simulados,
para preocupação das Irmãs vigilantes e os aplausos das expectadoras!
Que vida feliz e despreocupada...
O esporte é favorecido com dois campos e uma quadra de tênis.
O currículo escolar incentiva o cultivo das artes e o aprendizado de línguas
modernas.
As experiências científicas já contam com um bem montado laboratório.
Há também um bem montado laboratório. Há também um curioso mini museu
de história natural.
Pouco a pouco o bom nome do Colégio se acentua, e assim, a 9 de abril de
1934 o curso ginasial é oficialmente reconhecido, tendo como diretora da
escola: Madre Lúcia Victor Rodrigues.
Tudo floresce ao influxo do espírito de sacrifício e das dedicações
das Irmãs. Os melhores locais são para as alunas; as Irmãs ocupam o porão
da escola, sob a claridade de luz artificial, no generoso desprendimento e
na singeleza da paz de Deus. Pois predomina aquele espírito forte da
Fundadora - carisma de fé e amor-doação, fazendo do estabelecimento um
dos mais procurados da Paulicéia.
As semi-internas circulam pela cidade de manhã e à tarde com o uniforme
grená (vinho) e branco. São as cores do manto e da túnica de Jesus,
escolhidas pela Fundadora da Congregação. Chamam a atenção de todos,
pois destoam dos demais da época, de cor azul-marinho e branco.
A 14 de janeiro de 1938 é designada então superiora, Madre Miquelina
Cremonesi, verdadeira imitadora de Santa Francisca Xavier Cabrini. Durante
sua gestão deu-se o grande acontecimento da elevação de Madre Cabrini
às honras dos altares, sendo beatificada a 13 de novembro de 1938 pelo
Papa Pio XI. Solenes comemorações se realizam nos dois Colégios -
Cabrini e Sagrado Coração - para regozijo da grande família Cabriniana
e da Igreja.
A 4 de maio de 1939, uma nova superiora: Madre Berchmans Castelnuovo vem
dar novo impulso à vida do estabelecimento, incentivando o plano da
construção de um novo edifício.
Foi longa a expectativa. Finalmente, a 26 de abril de 1949 foram iniciadas
as obras do majestoso edifício de 4 andares. A humilde escola antiga
continua suas atividades pelas estruturas que sobem ao barulho das grandes escavadeiras e do estridente martelar dos numerosos operários. Caem
grandes árvores à cuja sombra se abrigaram centenas de crianças e
adolescentes.
Mediante um abaixo-assinado dos moradores do bairro, a rua Dr. Pinto
Ferraz passa a chamar-se rua Madre Cabrini. É então superiora Madre Rita
Coppaloni, incansável propulsora da nova construção, principalmente do
Santuário anexo ao colégio, cuja pedra foi lançada a 19 de março de
1950, por sua Eminência o Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos
Motta.
A 5 de março de 1952, o bando
festivo de 260 colegiais transpõe os umbrais do novo prédio...Está
inaugurado o belo edifício para a alegria de todos!
A 15 de agosto do ano seguinte,
ergue-se no pátio interno a Estátua de Madre Cabrini, em tamanho
natural; comemorando o Jubileu de Ouro da Missão Cabriniana no Brasil. E
enfim, a 22 de abril de 1956 realiza-se a solene consagração do novo
Santuário de Santa Francisca Xavier Cabrini, pelo bispo auxiliar D.
Vicente Zioni. Madre Rita Coppaloni e Madre Lúcia Victor Rodrigues
estiveram à frente do estabelecimento até 16 de março de 1961, data em
que Madre Rita partia para dirigir o novo colégio em Caxias do Sul. E
Madre Lucia assumia o duplo cargo de superiora e diretora do Colégio
Madre Cabrini. Sendo mais tarde solicitada a desempenhar outros encargos
em Roma.
A 11 de outubro de 1962 surge um
dos maiores acontecimentos da Igreja e da humanidade: o Papa João XXIII
abre o Concílio Vaticano II, que viria a renovar a face da Terra.
Sob esta luz, o Colégio Madre
Cabrini continua sua nobre missão de iluminar as inteligências e plasmar
os corações, para integrar uma sociedade alicerçada nos princípios
cristãos, e tornar o homem maior num mundo melhor.
Irmã Lúcia
Victor Rodrigues, MSC
Nota: A Irmã Lúcia, autora deste
histórico, foi diretora do Colégio Madre Cabrini no período de 1938 a
1965.

Nasceu em 31/ 05/ 1902 na cidade de Catalão (GO). Foi educada segundo os
moldes tradicionais da época: formação religiosa desde o berço, educação
esmerada através do testemunho de amor, respeito e carinho.
Aos 26 anos consagrou-se a Deus e com as Missionárias trabalhou
ativamente no campo da educação. Sempre vibrou com sua missão-colégio,
onde pôde formar centenas de gerações de crianças, adolescentes e
jovens. Como professora de talento, sempre atualizada, procurava dar às
suas alunas uma formação integrada na vida cultural, sócio-política e
social do país.
Em 1967 foi eleita Assistente Geral da Superiora Geral Madre Chiara
Grasselli. Logo após, assumiu o governo do Instituto como Vigária Geral,
com todos os direitos da Superiora Geral.
Os aspectos do Carisma Cabriniano que Ir. Lúcia mais incorporou em sua
vida foram o desapego, o amor-doação e a confiança total no Coração de
Jesus.
Os últimos 10 anos de Ir. Lúcia foram dedicados a viver o seu testemunho
como presença de religiosa - missionária e como trabalho, traduzir os
escritos de nossa Santa Madre Cabrini e de suas biografias.
Faleceu em 06/ 01/ 2005, aos 102 anos.
(Dados fornecidos pela secretaria do colégio e pela Casa Provincial)
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