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A conquista dos objetivos propostos para os anos iniciais do
Ensino Fundamental depende de uma prática educativa que tenha
como eixo à formação de um cidadão autônomo e participativo.
Na
visão aqui assumida, os alunos constroem significados a partir
de múltiplas e complexas interações. Cada aluno é sujeito de seu
processo de aprendizagem, enquanto o professor é mediador na
interação dos alunos com os objetos de conhecimento; o processo
de aprendizagem compreende também a interação dos alunos entre
si, essencial a sociabilização.
Há
determinadas considerações a fazer a respeito do trabalho em
sala de aula, que extravasam as fronteiras de um tema ou área de
conhecimento. Estas considerações evidenciam que o ensino não
pode estar limitado ao estabelecimento de um padrão de
intervenção homogênea e idêntica para todos os alunos. A prática
educativa é bastante complexa, pois o contexto da sala de aula
traz questões de ordem afetiva, emocional, cognitiva, física e
de relação pessoal. A dinâmica da sala de aula é tal que mesmo
uma aula planejada, detalhada e consistente dificilmente ocorre
conforme o imaginado e diversas outras variáveis interferem
diretamente na dinâmica prevista.
A
seguir, são apontados alguns tópicos sobre a didática que
consideramos essenciais em educação:
1.
AUTONOMIA
A autonomia refere-se à capacidade de posicionar-se, elaborar
projetos pessoais e participar enunciativa e cooperativamente de
projetos coletivos, ter discernimento, organizar-se em função de
metas aceitas, governar-se, participar da gestão de ações
coletivas, estabelecer critérios e eleger princípios éticos,
etc.
Como no desenvolvimento de outras capacidades, a aprendizagem de
determinados procedimentos e atitudes, tais como planejar a
realização de uma tarefa, identificar formas de resolver um
problema, formular boas perguntas e boas respostas, levantar
hipóteses e buscar meios de verificá-las, validar raciocínios,
resolver conflitos, cuidar da própria saúde e da dos outros,
colocar-se no lugar do outro para melhor refletir sobre uma
determinada situação, considerar as regras estabelecidas é o
instrumento para a construção da autonomia.
O desenvolvimento da autonomia depende de suportes materiais,
intelectuais e emocionais. No início da escolaridade, a
intervenção do professor é mais intensa na definição desses
suportes: tempo e forma de realização das atividades,
organização dos grupos, materiais a serem utilizados, resolução
de conflitos, cuidados físicos, estabelecimento de etapas para a
realização de atividades. Também é preciso considerar tanto o
trabalho individual como o coletivo-cooperativo. O individual é
potencializado pelas exigências feitas aos alunos para que se
responsabilizem por suas ações, suas idéias, suas tarefas, pela
organização pessoal e coletiva, pelo envolvimento com o objeto
de estudo. O trabalho em grupo ao valorizar a interação como
instrumento de desenvolvimento pessoal, exige que os alunos
considerem diferenças individuais, tragam contribuições,
respeitem as regras estabelecidas, proponham outras atitudes que
propiciam o desenvolvimento da autonomia na dimensão grupal.
2.
DIVERSIDADE
A educação escolar deve considerar a diversidade dos alunos como
elemento essencial a ser tratado para a melhoria da qualidade de
ensino e aprendizagem.
Atender
necessidades singulares de determinados alunos é estar atento à
diversidade: é atribuição do professor considerar a
especificidade do indivíduo, analisar suas possibilidades e
avaliar a eficácia das medidas adotadas.
Dessa forma, a
atuação do professor em sala de aula deve levar em conta fatores
sociais, culturais e a história educativa de cada aluno, como
também características pessoais de déficit sensorial, motor ou
psíquico, ou de superdotação intelectual. Deve-se dar atenção
especial ao aluno que demonstrar a necessidade de resgatar a
auto-estima. Trata-se de garantir condições de aprendizagem a
todos os alunos, seja através de incrementos na intervenção
pedagógica ou de medidas extras que atendam às necessidades
individuais.
3.
INTERAÇÃO E COOPERAÇÃO
Um dos objetivos
da educação escolar é que os alunos aprendam a assumir a palavra
enunciada e a conviver em grupo de maneira cooperativa e
produtiva. Dessa forma, são fundamentais as situações em que
possam aprender a dialogar, a ouvir o outro e ajudá-lo, a pedir
ajuda, aproveitar críticas, explicar um ponto de vista,
coordenar ações para obter sucesso em uma tarefa conjunta, etc.
É essencial aprender procedimentos dessa natureza e valorizá-los
como forma de convívio escolar e social.
Assim, a organização das atividades que favoreçam a fala e a
escrita como meios de reorganização e reconstrução das
experiências compartilhadas pelos alunos ocupa papel de destaque
no trabalho de sala de aula. A comunicação propiciada nas
atividades em grupo levará os alunos a perceberem a necessidade
de dialogar, resolver mal-entendidos, ressaltar diferenças e
semelhanças, explicar e exemplificar, apropriando-se de
conhecimentos.
4.
DISPONIBILIDADE PARA A APRENDIZAGEM
Para que uma
aprendizagem significativa possa acontecer, é necessária a
disponibilidade para o envolvimento do aluno na aprendizagem, o
empenho em estabelecer relações entre o que já sabe e o que está
aprendendo, em usar os instrumentos adequados que conhece e
dispõe para alcançar a maior compreensão possível. Essa
aprendizagem exige uma ousadia para se colocar problemas, buscar
soluções e experimentar novos caminhos, de maneira totalmente
diferente da aprendizagem mecânica na qual o aluno limita seu
esforço apenas em memorizar ou estabelecer relações diretas e
superficiais.
A disposição para
a aprendizagem não depende exclusivamente do aluno, demanda que
a prática didática garanta condições para que essa atitude
favorável se manifeste e prevaleça.
A intervenção do
professor precisa, então garantir que o aluno conheça o objetivo
da atividade, situe-se em relação à tarefa, reconheça os
problemas que a situação apresenta, e que seja capaz de
resolve-los. Para tal, é necessário que o professor proponha
situações didáticas com objetivos e determinações claros, para
que os alunos possam tomar decisões pensadas sobre o
encaminhamento de seu trabalho, além de selecionar e tratar
ajustadamente os conteúdos. A complexidade da atividade também
interfere no envolvimento do aluno. Um nível de complexidade
elevado, ou muito baixo, não contribui para a reflexão e o
debate, situação que indica a participação ativa e compromissada
do aluno no processo de aprendizagem. As atividades propostas
precisam garantir organização e ajustes às reais possibilidades
dos alunos, de forma que cada uma não seja nem muito difícil,
nem muito fácil. Os alunos devem poder realiza-las numa situação
desafiadora.
Aprender é uma
tarefa árdua na qual se convive o tempo inteiro com o que ainda
não é conhecido. Para o sucesso, é fundamental que exista uma
relação de confiança e respeito mútuo entre professor e aluno de
modo que a situação escolar possa dar conta de todas as
situações afetivas. Quando não se instaura na classe um clima
favorável de confiança, compromisso e responsabilidade, os
encaminhamentos do professor ficam comprometidos.
5.
ORGANIZAÇÃO DO TEMPO
A consideração do
tempo como variável que interfere na construção da autonomia
permite ao professor criar situações em que o aluno possa
progressivamente controlar a realização das atividades. Através
de erros e acertos, o aluno toma consciência de suas
possibilidades e constrói mecanismos de auto-regulação que
possibilitam decidir como alocar seu tempo.
Por isso são
importantes as atividades em que o professor seja somente um
orientador do trabalho, cabendo aos alunos o planejamento e a
execução, o que os levará a decidir e vivenciar o resultado de
suas decisões sobre o uso do tempo.
As aulas se
organizam por áreas com professores e tempo previamente
estabelecido (horário escolar). É interessante pensar que uma
maneira de otimizar o tempo escolar é organizar aulas duplas,
pois assim o professor tem condições de propor atividades em
grupo que demandam maior tempo. (aulas curtas tendem a ser
expositivas).
6.
ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
A organização do
espaço reflete a concepção metodológica adotada pelo professor e
pela escola.
É preciso que as
carteiras sejam móveis, que as crianças tenham acesso aos
materiais de uso freqüente, as paredes sejam utilizadas para
exposição de trabalhos individuais e coletivos, desenhos,
murais. Nessa organização é preciso considerar a possibilidade
de os alunos assumirem a responsabilidade pela decoração, ordem
e limpeza da classe. Quando o espaço é tratado dessa maneira,
passa ser objeto de aprendizagem e respeito.
É importante
salientar que o espaço de aprendizagem não se restringe à
escola, sendo necessário propor atividades que ocorram fora
dela. (passeios, excursões, teatro, visitas a fábricas, etc.).
No dia-a-dia
deve-se aproveitar os espaços externos para realizar atividades
cotidianas como ler, contar histórias, fazer desenho de
observação, buscar materiais, etc.
A organização do
tempo e espaço refletem a concepção pedagógica e interferem
diretamente na construção da autonomia.
7.
SELEÇÃO DE MATERIAL
Todo o material é
fonte de informação, mas nenhum deve ser utilizado com
exclusividade. É importante haver diversidade de material para
que os conteúdos sejam tratados de maneira mais ampla possível.
O livro didático
não deve ser o único material a ser utilizado.
Materiais de uso
social freqüente são ótimos recursos de trabalho, pois os alunos
aprendem sobre algo que tem função social real e se mantêm
atualizados sobre o que acontece no mundo, estabelecendo o
vínculo necessário entre o que é aprendido na escola e o
conhecimento extra-escolar. A utilização de materiais
diversificados como jornais, revistas, folhetos, propagandas,
computadores, calculadoras, filmes, faz o aluno sentir-se
inserido no mundo à sua volta.
AVALIAÇÃO
Compreendemos
a avaliação como:
-
elemento
integrador entre a aprendizagem e o ensino;
-
conjunto de
ações cujo objetivo é o ajuste e a orientação da intervenção
pedagógica para que o aluno aprenda da melhor forma;
-
conjunto de
ações que busca obter informações sobre o que foi aprendido
e como;
-
elemento de
reflexão contínua para o professor sobre a sua prática
educativa;
-
instrumento
que possibilita ao aluno tomar consciência de seus avanços,
dificuldades e possibilidades;
-
ação que
ocorre durante todo o processo de ensino e aprendizagem e
não apenas em momentos específicos caracterizados como
fechamento de grandes etapas de trabalho.
Para obter informações em relação aos processos de aprendizagem
é necessário considerar a importância de uma diversidade de
instrumentos e situações, para possibilitar, por um lado,
avaliar as diferentes capacidades e conteúdos curriculares em
jogo e, por outro lado, contrastar os dados obtidos e observar
a transferência das aprendizagens em contextos diferentes.
É fundamental a
utilização de diferentes códigos como o verbal, o oral, o
escrito, o gráfico, o numérico, o pictórico, de forma a se
considerar as diferentes aptidões dos alunos.
O professor pode realizar a avaliação
através de:
-
observação
sistemática:
acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos,
utilizando alguns instrumentos, como registro em tabelas,
lista de controle, ficha de avaliação instrumental (lição de
casa e desempenho), diários de classe e outros;
-
análise
das produções dos alunos:
considerar a variedade de produções realizadas pelos alunos,
para que se possa ter um quadro real das aprendizagens
conquistadas;
-
atividades
específicas para a avaliação:
nestas os alunos devem ter objetividade para expor sobre um
tema, ao responder algumas questões. Para isso é importante,
em primeiro lugar, garantir que sejam semelhantes às
situações de aprendizagem comumente estruturadas em sala de
aula; em segundo lugar, deixar claro para os alunos o que se
pretende avaliar.
Os critérios
de avaliação têm um papel importante, pois explicitam as
expectativas de aprendizagem, considerando objetivos e conteúdos
propostos para a área e ano, a organização lógica e interna dos
conteúdos, as particularidades de cada momento da escolaridade e
as possibilidades de aprendizagem decorrentes de cada etapa do
desenvolvimento cognitivo, afetivo e social em uma determinada
situação, na qual os alunos tenham boas condições de
desenvolvimento do ponto de vista pessoal e social.
É importante
assinalar que os critérios de avaliação representam as
aprendizagens imprescindíveis ao final de cada etapa e possíveis
à maioria dos alunos submetidos às condições de aprendizagem
propostas.
Os critérios não
expressam todos os conteúdos que foram trabalhados, mas apenas
aqueles que são fundamentais para que se possa considerar que um
aluno adquiriu as capacidades previstas de modo a poder
continuar aprendendo nas etapas subseqüentes, sem que seu
aproveitamento seja comprometido.
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